O legal e o ilegal no cotidiano de praticantes de assaltos contra instituições financeiras no Brasil

Jania Perla Diógenes de Aquino (LEV-UFC-Ceará, Brasil)

Em suas fases de organização e execução, assaltos contra bancos, carros fortes e empresas de guarda valores no Brasil mobilizam uma sofisticada infra-estrutura e são minuciosamente planejados. Uma rede de pessoas, objetos e atividades se projeta em função destes assaltos, conectando domínios do lícito e do ilícito. É recorrente que praticantes de assaltos contra instituições financeiras invistam parte das quantias que obtêm nesta atividade criminal em negócios legais, assim costumam se apresentar nas cidades e bairros onde residem como comerciantes e empresários. Não raro, estes homens se relacionam com três ou quatro mulheres, mantendo em simultaneidade estas famílias em diferentes regiões do Brasil. Cada uma das esposas e namoradas de praticantes de assaltos contra instituições financeiras costuma administrar uma modalidade de comércio e um conjunto de bens dos seus cônjuges. Tais empreendimentos e propriedades, que além de funcionarem como uma espécie de “fachada” para atividades ilegais destes assaltantes, também constituem importantes fontes de rendas para suas famílias, sobretudo, quando são presos e ficam impossibilitados de continuar participando de assalto. Os dados e questões apresentados resultam de uma pesquisa etnográfica realizada entre 2000 e 2009, junto a praticantes de assaltos residentes em diferentes regiões do Brasil, durante a realização deste trabalho de campo pude observar que o tráfego entre o legal e o ilegal era intenso e incessante no cotidiano dos meus interlocutores.

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