Pílulas e injetáveis na prisão: gestão de populações, de espaços superlotados e de condutas individuais

Fabio Mallart (USP, São Paulo, Brasil)

O presente trabalho, tendo como base pesquisa etnográfica realizada em distintos territórios urbanos da cidade de São Paulo, entre os quais, periferias, prisões, espaços de internação para adolescentes, hospitais de custódia e tratamento psiquiátrico, centros de atenção psicossocial e regiões como a chamada cracolândia paulistana, consiste em uma tentativa de analisar as crescentes práticas de encarceramento e de medicalização via substâncias psiquiátricas, que operam como técnicas de gestão de corpos indesejáveis e perigosos. Considerando especificamente a dinâmica das prisões, mas sem perder de vista as conexões com outros espaços urbanos, nota-se que efeitos desencadeados pela própria experiência do encarceramento são geridos através de pílulas e injetáveis. Se por um lado, tais substâncias operam como técnica de gestão de condutas individuais, produzindo modulações no funcionamento neuroquímico do cérebro e, nesse sentido, fabricando corpos flexíveis, por outro, os psicotrópicos operam como mecanismo de gestão da população prisional, direcionado ao gerenciamento de unidades superlotadas.

Deja un comentario